Você conhece um cult? Oras, eles estão espalhados por ai, dando aula em cursinhos e universidades. Outrora mencionei a galerinha cool, o pessoal ‘politizado’, pois é; os cult são a elite dos cool.
Podemos dizer que os cool são cults em potencial, têm grandes chances – se continuarem com seu comportamento ignóbil e hipócrita – de um dia se tornarem grandes cults.
Para saber se você conhece um cult – não vá se assustar se vê-los por ai em bares do Cambuí ou no Giovannetti tomando cerveja importada, pois é lá que eles se proliferam, sempre a discutir alguma coisa quantica ou geo-política internacional – então,vou descrevê-los da maneira mais simplória possível.
Os cult são, em sua maioria, pseudo-esquerdistas, anti-capitalistas, e intelectuais não compreendidos. Fumam charutos cubanos, cachimbos ingleses, cigarros mentolados, têm a barba por fazer e são descolados.
O gosto também parece que tem que seguir certo rigor.
Se você quiser se tornar um cult, pseudo-intelectual é fácil. Basta você: Dizer coisas incompreensíveis, falar pouco – claro, por estar enjoado do mundo – ter uma caligrafia ilegível, conhecer um pouco de literatura russa, falar algumas palavras em francês, conhecer um pouco de curtas experimentais, cinema italiano, e jazz.
Tem também o jovem universitário. Aquele tipo intelectual, que lê O Capital e sente um imensa necessidade de falar em como a Cuba se fundou, se criou e procriou.... Odeia o capitalismo e não bebe coca-cola, só fanta. Pega caneta marca texto e pinta seu ‘all-star’ com um símbolo anárquico, mas mora com os pais e estuda em universidade particular.
Ser cult é legal, super da moda também. Assim como falar mal de Paulo Coelho e Augusto Cury lhe da um ar intelectual irresistível.
Bom, depois volto a tocar nesse assunto. Agora você deve estar vendo que conhece tipos assim. Então, tome cuidado.
Se você ver um cult por ai, corra, e não olhe para trás.
Que saudades eu tenho de ver gente ‘xucra’ cantando um bom modão de viola.
Ai de mim!
SILVASAURO
"Ciência, arte e filosofia se vão fundindo tanto em mim que algum dia certamente ei de parir centauros"
E os cult?
E a mulher de soja?
Hoje ao abrir a geladeira, deparei com uma coisa que me deixou no mínimo perplexo: um bife de soja.
Depois da era light e diet, parece que hoje a nova moda é zero e de soja.
No supermercado está cheio dessa gente ‘politizada’ que consome produtos de soja e come temaki, por que comer temaki é super legal, ou comida chinesa, e, se for no shopping é uma coisa super cult. Tudo bem se de domingo você come no Burger King, só não deixe que alguém perceba.
Tomei a liberdade de nomear essa gente de galerinha cool. É uma nova espécie de gente que vem surgindo com o avanço cientifico.
É possível encontrar a galerinha cool em qualquer lugar, eles se reproduzem muito rápido, basta assistir ao fantástico que a cada domingo milhares de novos cools brotam como ervas daninhas e vão se proliferando de maneira abusiva.
A galerinha cool gosta de suco de soja e quando não, um refrigerante zero. São a vanguarda de uma nova geração saúde que a cultura moderna planta e vende em forma de bem – estar enlatado.
Essa cultura da saúde nasce de uma necessidade de esquecer – fazer com que esqueçamos – o fato de que o homem, e ainda acredito que eles existam, não é um animal feito para saúde. Oras, basta que um único organismo insignificante entre no seu corpo que pronto, você vai dessa para uma melhor. E falo aqui de um simples vírus, desses que existem por toda parte, que só tem uma única célula, e que não sabe fazer mais nada além de se reproduzir dentro de você.
Então, que animal saudável é esse, que tem de tomar uma pilha de remédios e vacinas quando nasce para não morrer? Que saúde é essa que se esvai no primeiro vírus que entra em seus pulmões? Um animal que vem morrendo desde o dia em que nasce.
Mas a galera cool não pensa assim. Ela recicla o lixo, escova os dentes de torneira fechada, entra em comunidades do greenpeace, apóia projetos sociais em prol das crianças da áfrica e não come fritura.
O shopping é cheio de produtos cool. Tem bolsa feita de garrafa pet, camisetas ‘save the planet’ e é claro: comida de soja. Do suco de laranja ao feijão.
A proliferação dos produtos à base de soja cresce – moda do momento, daquela galerinha cool – tanto, que receio um dia ter que comer uma mulher de soja.
Ai de mim!
Ah o livre arbítrio...
Você já se sentiu culpado por ter feito algo que não devia, por ter tomado uma atitude que não ‘deveria’? Não é preciso ser nenhum filósofo para responder um pergunta dessas. Todos nós já sentimos culpa, alias, a todo instante. Ela é o cento da vida moral. É esse sentimento de culpa que nos devora a todo instante em forma de costume.
‘Não faça isso’, ‘não faça aquilo’ – ouvimos isso desde que viemos ao mundo. Mas então aonde começa essa imputação moral que nos algema no hábito do ‘bom cidadão’?
Essa idéia não é nova, e não surge com a igreja católica. Ela é muito mais antiga. Na Grécia antiga havia um filosofo grego chamado Aristóteles que afirmava que somo “causas – de – si”.
Diz Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco: “Nas coisas em que a ação depende de nós a não-ação também depende; e nas coisas em que podemos dizer não também podemos dizer sim. De tal forma que, se realizar uma boa ação depende de nós, também dependerá de nós não realizar má ação”. Em outras palavras, nossas virtudes e nossos vícios dependem unicamente do que fazemos.
Agora pode se perguntar o leitor: por que o livre arbítrio? Ora o que é o livre arbítrio senão a tentativa – bem sucedida – do moralista cristão de introduzir no sujeito a idéia de culpabilidade. A partir do momento em que digo que você é responsável, você automaticamente é promovido a culpado. Isso é fato.
São introduzidos pela moral judaico-cristã-ocidental conceitos como: causalidade, vontade própria, sujeito, subjetividade e etc. E não é por mera diversão. Esses conceitos vêm manipular o sujeito através do pior de todos os grilhões: a moral. Não há pior veneno para o forte do que a moral do fraco, a moral do ressentido. A única maneira que encontra de vencer o forte é através do sentimento de culpa.
O que vejo hoje são pessoas ressentidas, culpadas, arrasadas pela moral do fraco. Vejo lobos fracassados e cordeirinhos astutos.
Tenho um amigo que quer ser como nós
Futuro incerto, caminhos tortuosos, altas escaladas por cumes nunca dantes escalados. Tenho um amigo que quer ser como nós. “Esse vai ser o novo Aristóteles” – Exclamava um professor de outrora.
Quando nasceu, um anjo torto desses que vivem nas sombras lhe disse para ser gauche na vida. E o que fazer senão aceitar a destino dos deuses? O inexorável destino que nos leva até o fim, mesmo que de saída entorte nossa estrada.
Meu amigo vai até o fim, carregando consigo um enorme medo de cair e fracassar por qualquer fadiga ou sinal de palpitação. Sim, aquele garoto que talvez você nem se lembre, vai como um andarilho em companhia da própria sombra.
Seu medo e sua coragem dançam como crianças. Bailarinos na corda bamba sob luzes de ribalta.
A idéia de um filósofo enfermo, pegando um trem rumo a uma cidade desconhecida, com grandes chances de se perder, carregando consigo um livro na mão, não é lá muito original, mas possui um inquestionável gosto de liberdade!