Durante muito tempo venho enclausurando dentro de mim alguns sentimentos que são intrínsecos, e por que não dizer inerentes, não só a mim, mas a natureza humana.
Quando adquirimos certa maturidade refletimos sobre questões de alto teor filosófico: O que é o homem? Por que estamos aqui? O que vamos fazer já que estamos aqui? E do que adianta algo fazer se não vamos a lugar nenhum? Era melhor que ficássemos mortos, pois se houvesse alguma metafísica nisso não haveria porque descermos até este mundo.
Esses sentimentos são meus, não os tenho em comum com mais ninguém e por assim ser não gostaria de tornar-los universais ao atribuir-lhes um nome limitando-os a uma linguagem simbólica, mas para que melhor me compreendam , não esperando que me entendam, chamarei esse conjunto de sentimentos inefáveis de depressão, veremos em que sentido ela se entende.
A depressão a que me refiro, é uma depressão ontológica, pesada, acompanhada de um desprezo do mundo, pelo mundo, e de si para si. O filosofo se sente angustiado e frágil diante do mundo; frágil por saber de sua solitude, culpado por saber que sua angustia é só sua e que não há metafísica nenhuma em ser triste.
Ah! Esse vasto deserto que é o homem... Com tantos sonhos e badulaques tentamo-nos afastar da realidade, fazer barulho para calar a náusea, seja à mesa,seja nas igrejas, seja à 300 km/H.
Quando se escolhe a filosofia escolhe-se indiretamente a responsabilidade existencialista do engajamento com o outro, e também a prisão da escolha livre. É um caminho no qual não se pode voltar atrás, viver se torna a mais pura e a mais bela depressão. Sim! Depressão, e como é bela, se não a sente não se vive intensamente, o belo nada tem a ver com a felicidade, a felicidade é imediatista, no mesmo instante em que ela se faz presente já se esvai pelas mãos, uma busca incessante da qual nunca alcançaremos o objetivo, a tão sonhada felicidade, nada mais que um consolo e nada a menos que uma utopia. Que não se entenda aqui a depressão no seu sentido patológico como faz a psicologia, a depressão é necessária para se contemplar as coisas belas, com ela é possível sentir-se vivo, e uma vez estando vivo não temer mais a morte, e nesse sentido depressão se torna depressão filosófica, um ser-no-mundo heideggeriano.
A vida é um pendulo entre o tédio e o sofrimento, do qual não há terceiro excluído. Mais confortável seria permanecer no nada. Bendita intencionalidade que fez de nós: homens; e de alguns de nós: homens livres. Estes sim sabem o verdadeiro sabor do estar vivo, da angustia da liberdade, do desespero, da impotência diante do mundo, do saber-se só e mal acompanhado.
Com toda conduta moral e toda doutrina ética, que nos observa dentro do outro e observa o outro dentro de nós, essa parte de nos que existe na relação moi et toi, produto do advento da sociedade e das relações sociais, enclausuramo-nos dentro de cobertores de aço incompreensíveis, o resultado leva à anestesia em massa, ao comodismo, a quietude, a inação, ao refugio do homem sob guarda-chuvas metafísicos contra a chuva ácida do existencialismo, e em momentos como esse manifesto meu desprezo pela ética e contra toda espécie moral.
Afirma Sartre que a existência precede e governa a essência - isso faz da filosofia existencialista a ciência das primeiras causas - sejamos primeiro para só depois irmos atrás de uma essência que nos sirva de essência, mas para tal é preciso primeiro existir, o que só é possível na depressão filosófica.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Palavra
Edifiquei em ti minha palavra
Envelheci fora de hora.
Teu jeito e tua coisa mansa
Fez-me de leão em criança.
Já quando vi que eu nada via
Que nada havia neste lamento
Transformei-me em poesia.
E cultivei-me ao sabor do vento
Envelheci fora de hora.
Teu jeito e tua coisa mansa
Fez-me de leão em criança.
Já quando vi que eu nada via
Que nada havia neste lamento
Transformei-me em poesia.
E cultivei-me ao sabor do vento
quarta-feira, 25 de março de 2009
Ser...
Meu peito está agora pequeno,
Nele já não cabem minhas alegrias.
Mas há espaço pro adestramento,
E o isolamento de toda a vida.
Reviro agora o coração,
Espero agora me encontrar
E achar esquecida no fundo
A breve essência da minha angustia,
Que se me alegra ao findar
Com a finitude do meu ser no mundo.
Nele já não cabem minhas alegrias.
Mas há espaço pro adestramento,
E o isolamento de toda a vida.
Reviro agora o coração,
Espero agora me encontrar
E achar esquecida no fundo
A breve essência da minha angustia,
Que se me alegra ao findar
Com a finitude do meu ser no mundo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
À sala de bom pastor
"Uma sala de quase, quase homens
Quase deuses, de quase mundos
Com semi idéias de semi promessas de semi mundos
quase perfeitos,são semi-naristas.
Um pensamento medíocre, digno de homens medíocres
Semi semitas... são quase, quase, quase nada.
Que palavras laicas lhes entalem a garganta e deixem o ar entrar.
Antes do agora o sempre e depois de amanha o nada.
Um nada de deuses, de homens podres
Uma nada que é tudo, e santos pecadores
E livros sem nome, filhos sem pai."
Perdi a noção das horas repouso em minha mesa de jantar
As mãos atadas em forma de oração,
pequei em palavras,em gestos de amor...
Amor humano e terreno!
Quase deuses, de quase mundos
Com semi idéias de semi promessas de semi mundos
quase perfeitos,são semi-naristas.
Um pensamento medíocre, digno de homens medíocres
Semi semitas... são quase, quase, quase nada.
Que palavras laicas lhes entalem a garganta e deixem o ar entrar.
Antes do agora o sempre e depois de amanha o nada.
Um nada de deuses, de homens podres
Uma nada que é tudo, e santos pecadores
E livros sem nome, filhos sem pai."
Perdi a noção das horas repouso em minha mesa de jantar
As mãos atadas em forma de oração,
pequei em palavras,em gestos de amor...
Amor humano e terreno!
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